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Análise Poética: "Em Uma Tarde de Outono" de Olavo Bilac




A poesia "Em Uma Tarde de Outono" de Olavo Bilac expressa uma melancolia que está intimamente ligada à passagem do tempo e à efemeridade da vida. O cenário outonal evoca uma sensação de transição, com as folhas amarelas que caem, simbolizando o envelhecimento e a decadência.


O poema transmite a ideia de perda e abandono, a partida da pessoa amada. A metáfora do navio navegando pelo mar representa um elemento fugaz que chega e parte rapidamente. O navio, personificado como "belo", visita um mar que parece inabitado e morto, sugerindo uma sensação de solidão e desolação.


Outono. Em frente ao mar.

Escancaro as janelas

Sobre o jardim calado,

e as águas miro, absorto.

Outono...

Rodopiando, as folhas amarelas

Rolam, caem.

Viuvez, velhice, desconforto...


Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,

Visitaste este mar inabitado e morto,

Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,

Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?


A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos

A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...

Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!


E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,

E contemplo o lugar por onde te sumiste,

Banhado no clarão nascente do arrebol...


A menção à água cantando e à espuma que rodeia os flancos do navio cria uma imagem de beleza efêmera e transitória, que logo se desvanece com a chegada da noite e a partida com o sol. Isso pode ser interpretado como uma reflexão sobre a fugacidade da felicidade e das experiências na vida.


O poema termina com o eu lírico olhando para o céu deserto e o oceano triste, contemplando o lugar por onde o navio se foi, mas banhado no clarão nascente do arrebol, sugerindo a esperança de que, mesmo diante das perdas e do passar do tempo, há uma luz renascendo no horizonte.


A poesia "Em Uma Tarde de Outono" de Olavo Bilac trata de temas universais como o tempo, a passagem da juventude para a velhice, a pessoa amada que partiu e a efemeridade da vida, usando a metáfora do navio e do outono para transmitir essas ideias de maneira poética e emotiva.

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